Publicado por: Andre Taka | 10, fevereiro, 2009

Mochilão até Machu Picchu – MACHU PICCHU – 01/jan/2007

Não é inteligente ficar bebendo até quase 03hs da manhã quando no dia seguinte você tem que pegar um trem às 06hs30! Pois é…nós fomos os burros. Foi difícil acordar cedo e ir até a estação de trens que ficava a uns 10min de táxi de onde estávamos. Nós e Simony (que não bebe e foi dormir mais cedo) fomos juntos, diminuindo o valor da corrida. Pensava que o trem seria horrível, como a maioria dos ônibus e táxis da Bolívia e Peru, mas me enganei. Não justifica o altíssimo preço, mas é bem bacana. Limpo, bem arrumado, porém, pouco confortável. A viagem dura cerca de 02hs, mas parece mais. A expectativa de chegarmos a Machu Picchu transforma alguns quilômetros em eternidade. Engraçado falar em eternidade quando se pensa imagina que a Cidade Perdida dos Incas se transformou em símbolo que de certa forma eternizou-os como uma das civilizações mais impressionantes de nosso mundo. Aliás, talvez Machu Picchu nem seja a obra mais grandiosa, talvez Qorikancha fosse mais monumental que Machu Picchu que graças a sua localização restou intocada da devassa espanhola. Bom, a chegada à Machu Picchu não é tão legal…você vê de um lado um grande hotel, tipo resort à beira de Machu Picchu. Uma entrada meio – “venham todos conhecer Machu Picchu!” -, porém, se entende que seja assim. É um misto de organização e preservação, necessário a quase todos os picos turísticos. Na minha pueril imaginação a chegada seria meio rústica, ainda com mata, etc…Creio que a trilha deva dar este ar mais místico ao lugar. Depois de pegar uma fila na entrada, pagar a entrada, cerca de U$ 20,00 (se não me engano) e carimbar o passaporte – sim, é bacana, eles carimbam o passaporte de quem foi à Machu Picchu!!! -, entramos. Uma dica, leve água…muita água. Não é legal ficar consumindo os caros produtos do pico. Além disso, como é necessário andar bastante pelo sítio arqueológico, você vai se desgastar e precisar de água, até porque ainda estará sob os efeitos da altitude. Tentamos subir a Huayana Picchu, o pico mais alto do parque arqueológico, entramos antes do fechamento limite de pessoas e começamos. Andamos e subimos pacas. Dado momento, com o horário escasso e cansados – eu e Carol, porque Simony estava na pilha para subir -, conversamos com umas gringas que estavam descendo dizendo que era meio emba e cansativo…então nós dois resolvemos abortar a idéia para irmos tirar a tradicional foto de MP. A Simony resolveu nos acompanhar…fiquei com pena porque ela queria subir, mas ela foi muito bacana conosco e nos acompanhou. Seguimos até o local onde se tem a visão da “cara del inca”! Onde todos tiram a foto clássica de Machu Picchu. Ficamos lá, um bom tempo batendo várias fotos. Carol ficou meio que meditando e sendo atrapalhada por nós dois que não parávamos de falar do pico e batermos fotos. Incrível. Alucinante! Eu sonhara com aquele momento. A primeira vez que ouvi falar de Machu Picchu tinha 12 (doze) anos. Foi na televisão no Globo Repórter, com o Sérgio Chapelen – sim, eu sou velho…hehehehe… -, e fiquei embasbacado. Por causa de Machu Picchu vi o filme (deveria ter lido o livro, mas fui preguiçoso) “ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS?”. E passei minha adolescência inteira imaginando como seria chegar lá, curtir o momento… Não curti Machu Picchu como deveria. Fiquei muito eufórico com a idéia de estar lá. Não me lembrei que estar lá era só um pedaço do sonho e que o sonho foi conquistado durante um longo percurso que não estava só nesta viagem. Não refleti como deveria, não me lembrei do árduo trabalho braçal dos incas, nem das atrocidades sofridas pelos mesmo…nem mesmo das atrocidades causadas por eles com outras tribos indígenas dominadas pelos incas…não! A euforia me fez bem, mas não permitiu que fizesse uma reflexão lógica e mental e espiritual do momento. Por isso, ainda digo a mim mesmo que voltarei a Machu Picchu para encontrar não o sentido para a minha vida ou os segredos dos incas, mas sim para refletir e repensar minhas atitudes perante a imensidão daquela obra humana e de toda a história dos incas. Refletir sobre a pequenês da minha vida e de meus atos, por vezes egoístas, contrariamente ao sentimento de cooperação que existiu entre os incas. Naquele dia, no primeiro dia de 2007, não pensei em nada disso. Só senti-me muito feliz e realizado por ter concretizado um sonho! Uma realização que ficará eternizada em meus pensamentos. Voltamos. Pegamos o trem de volta. Cansados, exaustos, felizes! Nada nos tiraria a sensação de alegria, nem o cansaço. Chegamos no albergue, tomamos um banho e como tínhamos marcado de comer uma pizza com o Gilmário e o pessoal do mochileiros.com (não se esqueça de entrar e conferir!), nem paramos para descansar. Falamos com o pessoal. tomamos umas brejas, comemos e nos despedimos. Gilmário e Vlais iriam no dia seguinte…nós não… Fómos deitar e curtir nosso dia de vitória, sonhando com Machu Picchu.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.